Expedição Viagem ao Alasca Aurora Boreal – Março, 2016

12 agosto 2016

ESCRITO POR: MARCO BROTTO

Essa foi uma surpreendente Viagem ao Alasca para caçar Aurora Boreal.

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Estradas do Alasca são cartões postais, a cada reta ou a cada curva. Tudo é muito lindo.

Em março de 2016 , depois de retornar da expedição para a Lapônia durante o carnaval, foi a vez da viagem ao Alasca para caçar a Aurora Boreal. Nosso roteiro foi desenhado focando a maior probabilidade de ver as luzes dentro de um espaço de tempo curto: apenas 4 dias.

Roteiro da Viagem ao Alasca:

Objetivo: Caçar a Aurora Boreal

A ideia inicial era pegar o carro em Anchorage, ir em direção ao Norte para Talkeetna e depois até Fairbanks.

Mas como todos sabemos, a natureza não segue os nosso planos, nós que devemos nos adaptar. E aí começa o que eu mais gosto!

E começam as mudanças nos planos da viagem.

Equipamentos prontos, gráficos abertos, adrenalina a 1000, tudo perfeito… menos o céu. Toda a extensão territorial do Alasca estava coberta por nuvens. Tínhamos que ir até Talkeetna porque tinha equipamento para pegar lá e tinha combinado com a minha amiga Dora Miller que a encontraria já nessa primeira noite. Um detalhe: nosso voo para Los Angeles atrasou. Perdemos conexão e com isso mais um dia e noite de caçada. Tudo ficou muito tenso e pensei que realmente seria uma caçada improdutiva para ver Aurora Boreal no Alasca.

Chegando em Talkeetna, vendo os mapas de nuvens vi que não existia chance de sucesso.

Uso um link local que me mostra com muita precisão como as nuvens estão, somo isso aos gráficos que encontramos na rede em camadas. Também uso o mapa de poluição luminosa na mesma sequência. Havia alguma chance de ver Aurora Boreal no Alasca retornando ao sul, mas trocando informações com a Dora vimos que ao Sul, não haviam tantas nuvens, ou seja, o ambiente estava realmente mais favorável. Porém, a atividade não deveria ser suficientemente forte para ir até aquelas latitudes. Pior que isso, vinha do Norte uma tempestade de neve e o plano de ir até Fairbanks racionalmente deveria ser cortado. Isso deixou a chance de ver as Luzes do Norte mais difícil.

Sem desânimo! Procuramos muito a Aurora Boreal nesta viagem ao Alasca!

Se desanimei? Que nada. Aí que vem a vontade louca de ver aurora boreal. Conversando com o pessoal, eu até disse “-nós vamos pegar essa ‘menina’ hoje”. Saímos pra estrada e na bifurcação entre o Sul e o Norte, o “teimoso” (no caso eu, rsrsrsr) preferiu ir pela intuição e fomos em direção ao Norte mesmo.

Como o rio estava descongelando, variações de temperatura podem acontecer mais frequentemente e fui forçado a tentar encontrar um buraco nas nuvens em Trapper Creek, mas meu objetivo final era Denali South View Point.

Algumas combinações e possibilidades ficam perambulando pela minha cabeça antes e durante a caçada. É uma coisa que faz parte de mim, espontaneamente traços as rotas, penso nas nuvens, BZ , BT, Kp, índice A, velocidade e opções de caçada. Quando eu falo sobre isso com quem está caçando junto comigo, me chamam de maluco, louco, indeciso e outros agradáveis adjetivos, rsrsrs. Mas a verdade é que dá certo! Quando estou nesse momento “matrix” eu digo que estou em um “Whatsapp com a Aurora”.

E novamente deu certo! Quando passávamos exatamente sobre a ponte de Trapper Creek, a Aurora Boreal já estava em um arco lindo do lado direito da ponte. Devo admitir que estava tão focado na estrada, que não percebi de imediato, foi o Marcelo quem falou “acho que tem um negócio verde ali daquele lado“. rsrsrsrs FELICIDADE GERAL !!!

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A primeira aurora boreal dessa viagem ao Alasca. O rio parcialmente congelado e ao fundo a tempestade que estava chegando.

Agora já estava mais tranquilo, objetivo 1 alcançado √…agora podíamos ir pra casa, rsrsrs. O próximo objetivo estava ainda a algumas dezenas de milhas ao Norte e a tempestade de nuvens vindo do Nordeste poderia atrapalhar os próximos dias de busca, então fomos direto pra mais uma caçada.

Assim que saímos da região de Trapper Creek, as nuvens fecharam o céu, e só poderíamos achar mais um buraco no céu quando aquelas formações passassem.

Uma trilha com neve na cintura..

Seguimos a ideia de continuar para o South Point que é muito frio e a neve acumulada chega facilmente a vários pés. Entrar naquele local sempre foi bastante difícil! A região fica fechada para acesso fora dos meses de verão, as entradas são fechadas para carros e só pode se chegar até o ponto de visualização do Denali e da Alasca Range, andando. Independente da Aurora Boreal, esse local é muito lindo e vale a pena conhecer seja de dia ou a noite. Se você não tem experiência na trilha que leva ao mirante deve ter extremo cuidado. Em alguns pontos, a neve chega à altura da cintura, mas olhem a foto, não vale a pena?!

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Uma caminhada com neve até a cintura, caminho que conhecemos muito bem, tudo para ver a Aurora Boreal e o Monte Denali ao fundo. Essa é uma imagem que vale a viagem ao Alasca!

Que noite fantástica, que escolha perfeita! Pela atividade que tínhamos (estava muito baixa), dificilmente veríamos a aurora indo pro Sul. Tiro certo e mais dois lindos spots de aurora para a coleção. 😃

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Chegando ao local de hospedagem consegui registrar alguns tons da Aurora Boreal no horizonte,  mas somente através de longa exposição na câmera.

Hora de descansar, menos de 24 horas de viagem ao Alasca e duas lindas Auroras!

O dia amanheceu fabuloso, céu limpo e as previsões eram de que ia ficar estável até o começo da noite e depois teríamos uma tempestade fortíssima. Essa tempestade já estava em Fairbanks e ir até lá seria terrível e improdutivo. Não gosto de desistir, mas o pilar mais forte das nossas viagens é a segurança! Não tinha sentido que seria bom ir em direção dessa tempestade de neve, pois nessa época ela poderia virar uma chuva congelada, o que seria muito pior. Mas uma CME estava chegando, o que é uma excelente possibilidade de Aurora.

O dia realmente foi muito lindo e fizemos o mesmo caminho da noite anterior, olhe a foto para que tenha noção por onde passamos na escuridão, poucas horas antes!

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O mesmo ponto da noite anterior, agora com a linda paisagem diurna.

Nesse dia encontramos nossos amigos de uma televisão de Taiwan que estavam fazendo um programa sobre a Aurora e ficaram fascinados, pois tínhamos visto ela na noite anterior. Mostrando as fotos eles gritavam característicos UUUUOOOOOOHH UOOH UOHHHHHHH OOUHHHH!

Fizemos uma participação no programa de Taiwan e ajudamos o pessoal a achar a Aurora Boreal. Minha equipe contou neste link como foi que pude auxiliar eles. Ali você também pode ver o programa da TVBS de Taiwan, que tive a honra de participar.

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A estação de trem em Talkeetna, sempre presente em nossas  viagens ao Alasca.

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O rio Sushitna descongelando, durante o inverno usamos como estrada para snowmachines.

Convidei a Dora e ela teve uma surpresa e tanto!

O final do dia foi com um pôr do sol de perder a respiração! Os gráficos de atividade davam como certa uma grande quantidade de plasma chegando, mas junto com nuvens. Aí um fator importante: não fico nos chalés esperando a aurora bater na porta e me chamar para dançar com ela, conversei com a Dora e já mostrei meu plano para a noite!

A Dora também é caçadora de auroras, muito experiente, fotógrafa de nível internacional, mora no Alasca já fazem anos e tem essa maravilha na sua janela! Então como estava nublado ela decidiu descansar. Mas como a gente precisa viajar milhares de km e passar por horas e horas de voo, eu não desisto mesmo.

Sempre tendo as normas de segurança como pilar central, nos despedimos da Dora e partimos. Na minha cabeça estava no momento “Whatsapp com a aurora” e pensava nas alternativas. Era certo que pelo menos sobre as nuvens teríamos fotos de Aurora daquela noite.

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Dora Miller, caçadora de Aurora que reside no Alasca, comigo na noite em que caçamos aurora com o céu repleto de nuvens nesta viagem ao Alasca.

Em direção ao Sul, comecei a perceber a variação das nuvens e sabia que a qualquer momento a Aurora arrebentaria sobre nossas cabeças. Em menos de 20 km de Talkeetna, começou o espetáculo!

Quando liguei para a Dora ela já tinha visto o indicativo nos gráficos, mas de Talkeetna não conseguia enxergar. Passei nossa localização para ela, descemos os equipamentos em um lugar seguro, sinalizamos e aguardamos a chegada dela. Foi mais uma vez impressionante! Poucos km de distância e duas situações diferentes de visualização.

Nessa noite tivemos a certeza de que ir em direção ao Norte, ou seja, para Fairbanks, seria impossível. A distância para ir e voltar, a neve ou chuva congelada caindo e as condições da estrada deixariam a viagem insegura e arriscada.

Dormimos em Talkeetna e no outro dia seguimos ao Sul. As auroras já tinham sido visualizadas em vários lugares mas quem disse que eu fico satisfeito? O tempo ia fechando em direção ao Sul e tínhamos as nuvens nas nossas costas. Anchorage estaria um pouco fora da oval naquela noite então tive mais um momento “matrix”, rsrsrs. Acabamos indo em direção ao Canadá, seriam 5 horas de ida e volta e a estrada tem alguns pontos muito perigosos com locais de desmoronamentos de pedras. Mas este é um perigo que existe na maioria das estradas com serras e regiões de montanhas e sabíamos que precisaríamos de atenção especial.

Pegamos então a estrada Alaska 1. Parte pequena dela faz parte de uma das estradas do seriado Estrada Mortais (veja neste link). Os gráficos nos mostravam que perto do Glacier View, as nuvens estavam se dissipando, portanto teríamos mais uma chance de captar Aurora, num espaço de 20 km entre duas montanhas em um planalto que existe por lá.

Fugindo das nuvens e encontrando mais Aurora no Alasca!

Quando o céu começou a ficar escuro e já conseguíamos avistar Vênus bem nitidamente paramos para estudar o céu. Era impressionante a nossa colocação! Parte do céu estava totalmente nublado e outra parte totalmente aberto! Por sorte, a parte aberta era na direção correta e eu já conseguia perceber uma faixa de aurora no horizonte. Com auxílio da super exposição das câmeras, a teoria se confirmou. Agora era só nos prepararmos em um lugar seguro e esperar algum tempo, torcendo para que as nuvens não cobrissem a região aonde estávamos.

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Depois disso foram 2 horas de espetáculos no céu, e conforme as nuvens chegavam a gente ia fugindo e caçando a aurora.

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Mais uma vez quem saiu atrás, usou de tecnologia e não teve preguiça, viu as luzes do Norte dançando! Acompanhando as redes sociais, notamos que fomos algumas das poucas pessoas que viram Aurora Boreal aquela noite no Alasca.

Como eu digo, não viajo 30.000km pra ficar no hotel descansando! Vamos caçar Aurora!

Depois dessa noite linda destinamos os nossos últimos momentos em solo Norte Americano para ver a vida selvagem.

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Marco Brotto
Marco Brotto
Marco Brotto tornou-se conhecido como o caçador brasileiro de Aurora Boreal. Já viu centenas de spots de Aurora Boreal em vários locais do mundo, proporciona experiências incríveis para aqueles que o acompanham e possui um espetacular acervo de fotos de auroras.

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