Expedição Aurora Boreal no Alaska – Carnaval, 2017

ESCRITO POR: MONICA VIANA

Esta expedição para ver a Aurora Boreal no Alaska foi diferente, por vários motivos:

  • primeiro: iríamos nos esquivar do tremendo calor de Curitiba;
  • segundo: passaríamos o Carnaval em um destino diferente;
  • e por último: era a minha primeira vez no Alaska.

Eu estava muito empolgada, e ao mesmo tempo ansiosa para conhecer o grupo.

Minha primeira caça à Aurora Boreal no Alaska

Malas prontas, Marco eu partimos para o aeroporto sabendo que uma longa jornada nos aguardava. É uma pernada para chegar lá! Cansa um pouco, mas ao mesmo tempo é legal pois vamos cruzando alguns estados americanos, e quem já foi para os Estados Unidos sabe como é incrível e os aeroportos são cheio de lojinhas, comidas e entretenimento.

aurora boreal no alaska chales lindosAssim o tempo passou rápido e quando nos demos conta já estávamos nos encontrando com parte do grupo para seguir até Anchorage.

Em Anchorage reunimos o resto da turma e partimos para nosso lodge, primeira parada. Já era tarde, então só foi o tempo de descarregar as limousines (sim, nosso transfer foi de limousine no Alaska! Hahaha) e cada um foi pra sua cabana dormir. No outro dia todos queriam acordar com energia para aproveitar o lugar.

aurora boreal no alaska viagem monica viana

Já no amanhecer vi que o Alaska é algo inesquecível! Somente pela paisagem que encontrei ao abrir a janela do nosso confortável chalé. Engraçado que as pessoas acham que não temos conforto nessas viagens por que veem algumas fotos das expedições que o Marco faz sozinho se enfiando nos mais distantes pontos do Ártico. Adorei tudo.

Pela manhã, fui para o café pensando que talvez ninguém estaria lá, pois estavam tão cansados com a viagem… que nada! O pessoal já estava de café tomado e dando muitas risadas. Este momento foi energizador, ver todos já assim enturmados desde o primeiro dia. Para ser mais específica, este grupo era composto de 14 mulheres e 1 homem, eu como guia e Marco na caçada. 17 brasileiros ansiosos para explorar o Alaska!

Knik River é uma região que fica a mais ou menos 50 minutos ao norte de Anchorage, é uma área um pouco mais isolada, com mais paisagens e sem grandes centros comerciais ou coisas do tipo. A cidade mais próxima é Palmer, que fica a 20 minutos ao norte. Neste dia, aproveitamos para explorar a pé a região, tirar muitas fotos com as montanhas ao fundo e deslizamos de caiaque na neve. Foi mega divertido! Muitas risadas e vídeos. Esta noite também aproveitamos para descansar pois no dia seguinte viajaríamos cedo para Talkeetna. A caçada ainda não havia começado, mas as previsões que o Marco me passou da Aurora Boreal no Alaska para os próximos dias eram grandes, portanto não estávamos preocupados.

ver aurora boreal no alaska viagem marco brotto

 

 

 

 

 

 

marco brotto viagem expedicao aurora boreal alaska

No dia seguinte, nossos queridos amigos Elliot e Craig, parceiros de trabalho e motoristas das vans que nos guiam pelo Alaska, chegaram já trazendo animação. O Elliot tem um humor muito peculiar, engraçado e ao mesmo tempo sofisticado. Sem contar na enorme vontade de ajudar. Nos sentimos muito seguros com ele e com Craig. Apesar de toda experiência do Marco no Ártico é expressamente proibido dirigir carros com turistas sem autorização especial e carteira motorista apropriada. Como o Marco diz, nossos motoristas são nossos anjos da guarda.

No caminho, uma breve paradinha para “compras”. Não seria um grupo predominantemente feminino sem as famosas paradinhas nas lojinhas! Eu confesso que sou especialista nisto hahaha. Adoro levar passageiros nas lojas locais, é uma forma de explorar a cultura e ver como as coisas funcionam, o que os locais gostam, etc.

O pessoal precisava reforçar as roupas de frio, pois estávamos indo cada vez mais ao Norte, e a temperatura baixava conforme subíamos. Apesar de que o Marco sempre leva algumas roupas extras para o caso de alguém sentir muito frio.

Comprinhas feitas, seguimos viagem para Talkeetna. Chegamos no meio da tarde, a tempo de apreciar o pôr do sol de frente para nosso lodge. O rio Sushitna congelado, maravilhoso, rodeado de árvores de um lado e do outro, os nossos chalés. O sol se pondo lá no fundo, tudo branquinho de neve, as casas de madeira compondo o cenário rústico… nenhum barulho ao redor, apenas a natureza, neve e nós. Lugar perfeito para relaxar e contemplar. O Marco se divertiu fotografando o pessoal na neve, todo mundo se esbaldou e aproveitou o momento.

Nesta noite fomos jantar o famoso King Crab do Alaska. O pessoal adorou, aliás, foi uma noite repleta de risadas, comida boa, drinks, mais risadas, um gato que vinha dar oi de vez em quando (o restaurante fica atrás de um armazém, e o gato, aliás os gatos; futuro e atual “prefeito da cidade”, moram lá), pessoas legais e conversas mais legais ainda.

Novo “gato honorário prefeito”do Alaska.
Atualização: o “gato honorário prefeito” do Alaska citado acima, o famoso Stubbs que está na foto, faleceu aos 20 anos no dia 22 de julho de 2017. 🙁 #RIP

Mais uma coisa que tenho que falar sobre o Marco: as pessoas de todos os lugares que viajamos os conhecem e tratam com amizade. Vocês imaginam uma cidade com 400 habitantes, atmosfera de velho oeste, um saloon histórico lotado de homens jogando poker… Pois bem, lá vai ele com as mulheres que queriam ver o saloon, entrou como morador local e nos levou em mais uma experiência única.

Passamos boas horas lá, até que deu um soninho e parte grupo voltou para o nosso lodge.

A outra parte  do grupo abduzida rsrsrsrs pelo Marco saiu caçar a Aurora Boreal no Alaska e treinar fotos noturnas. Conseguiram fotografar a Aurora, ainda tímida por trás das nuvens, mas estava ali!

Manhã chegou, fomos tomar café no centro de Talkeetna, uma “vila” charmosa e acolhedora. Totalmente estilo faroeste, lá estava o assustador saloon, tomamos café em um lugar incrível, bem típico, com aquelas decorações pitorescas e ao mesmo tempo estilosas, muita comida, doces, cafés, chocolates… uau! Fomos a loucura! Deu vontade de comer tudo! Detalhe: logo mais nós iríamos fazer um passeio de avião sobrevoando o Denali. Perigoso, mas a fome falou mais alto.

Estômagos satisfeitos, partimos pegar nosso avião. O dia estava lindo, mega ensolarado, até menos frio. O grupo se dividiu em dois e partimos em dois aviões. O passeio durou cerca de 40 minutos e foi sensacional. A vista de cima do Alaska é… nossa, já usei quase todos adjetivos incríveis que existem para descrever o Alaska hahaha. É um mix de floresta com neve com vales e montanhas… o sol ao fundo iluminando tudo, o céu completamente azul… fomos muito abençoados! Os locais nos disseram que este havia sido o segundo voo da temporada que o tempo aberto permitiu acontecer. Yes! O Alaska estava do nosso lado.


Quando anoiteceu, fomos jantar em outro restaurante desses estilo “faroeste”, no centro de Talkeetna. A comida, bem sem palavras para a comida. Hmmm, divina. Novamente uma noite daquelas com muita comida, drinks, risadas, risadas e risadas. Esse grupo tava com tudo, aproveitamento 100% da viagem.

Marco e eu observávamos tudo aquilo e dava aquela sensação boa, de sentir que tudo estava fluindo e todos felizes. Bem, missão (quase) cumprida, só faltava a dona Aurora Boreal!

Começou a caçada à Aurora Boreal!

Nesta noite o Marco saiu caçar com um grupo, viram novamente a Aurora Boreal meio tímida, mas já foi um presságio. Marco me garantiu que algo maravilhoso viria e se quisesse ficar descansando poderia. Fiquei. Uma tempestade eletromagnética estava prevista para os próximos dias, além de o céu estar limpinho, limpinho. Coração a mil!

Na manhã seguinte partimos de Talkeetna para pegar o famoso ‘Alaska Rail’, o trem que liga Seward, ao sul, à Fairbanks, norte. Seriam 8 horas de viagem, mas estávamos empolgados e tínhamos um ótimo incentivo: a magnífica paisagem do Alaska, o Alaska Range.

É de matar de rir o jeito do Marco! Ele entrou no trem e os controladores de bilhetes vieram conversar com ele, lembrando das outras viagens e das bagunças que devem ter feito juntos.

O passeio é delicioso, é uma alternância entre paisagens, conversas, fotos (muitas!), comidinhas e descanso. O tempo passou voando e logo havíamos chegado em Fairbanks, no início da noite. No trem o Marco me mostrou um filete de aurora boreal já aparecendo muito fraca no horizonte e me disse “calma não conte ainda”. Agora a Aurora Boreal não nos escapava.

Saímos para caçar aurora boreal mega empolgados. O céu estava fechando e preocupou, mas era hoje que ela viria! Agora sim o Marco estava faceiro e nos explicou que teríamos que ir mais longe, que iríamos postergar o “bote” pra que tivéssemos mais chance. E a animação e energia dele contagiava todos nós também.

Queremos ver a aurora boreal!

Fomos bem ao Norte … e voltamos de olho no céu!

Vimos um pouquinho dela iniciando no horizonte trazendo um ótimo presságio. Sim, logo mais a frente no caminho ela surgiu! O impressionante da Aurora é que você nunca sabe o que esperar dela. Ela está sempre mudando e se mostrando de diferentes formas e em diferentes lugares. O frio de -30C não parou ninguém e o nosso urso polar ainda teve que emprestar sua super jaqueta para a Luciana que pensou estar protegida mas sentiu muito frio.

Foi simplesmente surreal. Eu não sabia se filmava, se abraçava as meninas, o Marco, ou se chamava o pessoal pra tirar fotos. Mas ninguém queria! Estavam boquiabertos pensando se tudo aquilo era de verdade… Que benção. Depois muitos me confidenciaram que não conseguiram dormir.

viagem aurora boreal no alaska grupo

De manhã todos a postos, energizados e prontos para o passeio ao Denali National Park, aquele que sobrevoamos. Esse parque é reserva nacional de vida selvagem do Alaska. O plano do Marco era aguardar o momento de ver a aurora boreal em um lugar que ele adora. Será que é por que tem um enorme bife feito na grelha? Sim! Jantamos em um lugar divino.

Mas já enquanto jantávamos ela começou a dançar no céu.

Ela foi vindo aos pouquinhos, finalizamos o jantar e como estava esfriando, alguns entraram nas vans. O “maluco “do Marco e mais outros malucos estavam fora da van comemorando e de repente ele começou a sacudir a van! “Desçam que ela esta vindo forte”!

Que foi… uowwwwww. Aurora risquinho, arco, pianinho, chuvinha, tudo ao mesmo tempo. E em todas as cores: rosa, roxo, verde, verde claro. Nada do que já tinha visto nas minhas viagens atrás da aurora chegou perto daqueles momentos.

Naquela noite eu não conseguia nem dormir pois as imagens ficavam retornando a minha mente. Foi uma experiência única! O Marco estava extremamente feliz, admirando, gritando, fotografando, interagindo, ajudando o pessoal a ajustar suas máquinas, fazer as melhores poses… gente, foi surreal. Teve povo saindo da van de pé descalço pra ver a aurora! Nesta hora não tem frio que segure ninguém.

Bem, não preciso nem falar que na noite seguinte também tivemos uma tempestade de Aurora Boreal no Alaska. Teve foto que todo mundo queria tirar, teve gritaria, teve show de Aurora pra todo mundo. Foi um bom tempo de apreciação e contemplação. Obrigada, Universo!

Eu não quero me prolongar muito (e tornar esse post longo e tedioso!), mas além de tudo isso, ainda teve: passeio no museu, dogsled, o passeio de avião que já mencionei, almoços em ‘casas de vós’ do Alaska que fazem aquela refeição mágica e única, jantar de despedida com direito a declarações de amor, sobremesas compartilhadas e fotos com a Aurora… enfim. A nossa Expedição estava chegando ao fim, mas não sem antes um dia livre para todos descansarem e conhecessem um pouco da região em Fairbanks. Muitos toparam ver um concurso de arte no gelo que estava acontecendo por lá. Uma escultura mais linda que a outra! Muita neve e gelo por tudo, no meio de uma florestinha. As fotos ficaram lindas.
Entao pessoal… Uma frase para concluir esta viagem que está guardada no meu coração: é da nossa amiga Dora Miller.

                                                                  “Quando vem a escuridão nós vemos as luzes”

Venha conosco para a próxima viagem para o Alaska. 🙂

Para quem não me conhece, sou Monica Viana! Guia de viagens, psicóloga, namorada e caçadora de Aurora Boreal. Tudo por amor <3

Nomenclatura MONIQUES para aurora boreal!

Para vocês anotarem, aí vai!

São elas:

  • Aurora Risquinho: É quando ela aparece em formas de riscos, debaixo pra cima, ou de cima para baixo, podendo surgir um ou mais de um ao mesmo tempo, sem movimentos e geralmente em tons verde claro.
  • Aurora Arco: ela surge no horizonte em forma de arco, podendo ser um ou mais arcos, sempre de um lado para o outro.
  • Aurora Pianinho: quando ela surge em rápidos movimentos verticais que deslizam de um lado para outro. Este tipo de aurora muitas vezes já apresenta um tom mais ˜rosa`na ponta das ‘teclas do piano’.
  • Aurora Chuvinha: Pode ser confundida com a aurora pianinho, o que difere as duas é o ‘movimento’. A aurora chuvinha também surge ‘caindo’ em forma de traços na vertical podendo apresentar tons rosados, mas é mais devagar, e se expande mais lentamente.
  • Aurora Serpente: É a aurora que aparece em forma de ondas, lembrando a figura de uma cobra. Os movimentos podem ser rápidos ou lentos.
  • Aurora fumaça: Ela pode ser confundida com nuvens, podendo estar camuflada no céu. É uma ‘mancha’ no céu que pode apresentar tons mais verdes, podemos ser até menos visível a olho nu.
  • Aurora STORM: esta Aurora eu descobri que existe nesta viagem, pois foi o que vimos: uma tempestade de AURORA BOREAL.
Monica Viana
Monica Viana
Monica Viana, psicóloga, namorada, "mãe" de 3 gatos e viajante de carteirinha. Está no terceiro passaporte. Tem um pezinho no Oriente Médio mas se apaixonou pelo ártico nos últimos anos. Já morou em alguns países e fala algumas línguas. Prefere viajar mais de uma vez para um país que amou do que ir para um lugar que não conhece mas que não faz muita questão! Já caçou aurora em todos os países da Escandinávia e no Alaska. É a companheira de viagem e da vida de Marco Brotto, juntos, são o casal caçador de aurora boreal.

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